Adolescência é carro sem freio.
Porque somos empurrados ladeira abaixo sem nenhum apoio, sozinhos. Literalmente cuspidos em um mundo cheio de mudanças. Somos buzinados a todo instante por adultos indisciplinados cobrando responsabilidades que nunca nem existiram na fantasia da infância. “O que?” “Como faz isso?” “Estou fodido!” Sim, sempre estamos.
Porque não sabemos, simples assim. Não sabemos lidar, ouvir, ser. O que será? Daqui pra frente eu não me viro. Nunca me virei antes, não estava acostumado com essa ideia. Era só brincadeira de carrinho e boneca e agora tudo mudou. Não aguento o tranco.
Porque os hormônios não dão trela. “Olha o peitinho daquela ali!” “Você viu o muque do fulano?” Somos seduzidos e enganados. E engolidos pelo prazer. Mas o que é prazer mesmo? Eu não sei. Censuraram na escola. É tabu falar sobre esses assuntos e quem fala fica com má fama.
Porque a ânsia por reconhecimento cresce. Eu também quero ser reconhecido, quero ser o engraçado, o brincalhão. O descolado. Eu sei fazer, você quer ver? Diz que sim, aprendi na televisão. É engraçado, eu juro que vai rir!
Porque no final de tudo, a adolescência é um carro sem freio descendo uma ladeira. Mas em algum momento, bate no muro da vida adulta e o que sobra são pessoas com boas ou más histórias no bolso. Histórias que muitas vezes são apagadas com o tempo. Pela falta de tempo. Tem hora extra pra pagar, amanhã eu te conto, meu filho. E o amanhã nunca chega.